25 octubre 2010

a quem interessar possa...

sou romântico, faço tudo errado, nem sei porque continuo tentando…”













trecho da peça Pterodáctilos, peça escrita por Nicky Silver

foto de mari quintão

20 octubre 2010

carta pra mim

a assassina de borboletas sou eu

nós duas somos uma e tantas outras

uma que não tem medo em dizer que assassinava borboletas

e que fazia isso, friamente, usando apenas dois dedos

e outra que nem sabe se isso é algo do qual alguém possa mesmo sentir medo

o medo que tenho agora, é o de não sentir

sentir que foi tudo em vão

que você passou e eu fiquei aqui

que eu fui e te deixei

te separei de mim, como talvez sempre fiz antes

ou ainda que seja a primeira vez, se for

deve ser a última,

não quero mais isso,

não quero mais ser essa,

essa parte do todo que me faz parte,

de agora em diante, quero só as outras partes,

do todo que eu faço parte.

04 octubre 2010

exposed

DSC_0995

ouvi falar em

fronteira

e vi

vi a fronteira

não que a tenha visto de fato

de fato não a vi

digo vi, de ver

de ver não vir

ela chegou e foi

deixou ares de quem ficou

trocou

trocamos

de lado

cruzamos a fronteira

e nos encontramos

para Chris Jatahy, uma artista que me inspira




foto: dani barbosa, arte de Vince Tigre exposta no Arte com Hortelã

http://dagaragem.com/author/vicente/

http://artecomhortela.blogspot.com/2010/09/vince-tigre.html

31 agosto 2010

palavra calada

e ficou ainda uma última palavra
dependurada nos lábios
a pobre palavra, se agarrava com toda força nos últimos fios de cabelo
seus dedos quase escorregavam, mas ela então se segurava com mais força ainda
e não se deixava cair
não se deixava falar
calava-se

foi então que a boca percebendo o desespero da palavra
a engoliu com toda ânsia de a manter protegida

e agora a palavra enfim descanssava em paz
em algum cantinho, entre os dentes ou atrás da língua
ficava ali, maturando, pra quando enfim estivesse realmente pronta pra ser dita

05 agosto 2010

inversão de papéis

foto dani barbosa e texto bel acosta
quer uma avalanche de coisas novas, com cheiro de terra molhada, que faça brotar novas flores e eu possa colhe-las frescas. Eu quero ar limpo no rosto, sopros de ventos brandos, leves, sussurantes, quase tímidos e românticos, daqueles que fazem carinho e barulho baixinho e levam as folhas secas pra renovar a vida...