20 octubre 2010

carta pra mim

a assassina de borboletas sou eu

nós duas somos uma e tantas outras

uma que não tem medo em dizer que assassinava borboletas

e que fazia isso, friamente, usando apenas dois dedos

e outra que nem sabe se isso é algo do qual alguém possa mesmo sentir medo

o medo que tenho agora, é o de não sentir

sentir que foi tudo em vão

que você passou e eu fiquei aqui

que eu fui e te deixei

te separei de mim, como talvez sempre fiz antes

ou ainda que seja a primeira vez, se for

deve ser a última,

não quero mais isso,

não quero mais ser essa,

essa parte do todo que me faz parte,

de agora em diante, quero só as outras partes,

do todo que eu faço parte.

3 comentarios:

Dani Barbosa dijo...

ok!
carta recebida
lida e relida
será sempre que precisar!

.Renan Amaral. dijo...

Eu acho algo maravilhoso deixar as borboletas assim, voando como nossa imaginação voa, vivendo como os humanos vivem, buscando como os artistas buscam, encontrando a razão que a vida almeja.

É mais maravilhoso ainda poder contruibir com algo que considero puramente arte.

Iran Maia dijo...

Amei seu blog.
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Iran Maia